15 junho 2021 [2]

Estava no chão. Deitada em um colchão surrado e sem lençóis. O cômodo era estranho. Semelhante a uma sala de aula. Dividia espaço com uma mulher. Ela vestia uma regata leve, de cetim, quase da cor da pele dela. Meio bege claro, meio rosada. Não usava quaisquer outras peças de roupa. Fitou o corpo nu com timidez. De todo modo, observou cada detalhe daquela mulher. Percebeu um contorno estranho. Desviou o olhar. Pensou ter visto errado. Mirou novamente. Havia uma língua no lugar do clitóris. Uma língua igual àquela que fica da boca. Uma língua na boca e outra na vulva. Quis beijar a mulher. De súbito, um homem entra na sala. O conhecia. Guardou o desejo no fundo dos olhos. Levantou e saiu daquele lugar. Outra mulher esperava do lado de fora. Pegou a mão dela enquanto continuava a caminhar, se afastando daquela sala. Olhava para trás com frequência. Estava em busca dela. A viu. Segurou com força a mão de sua companheira. Sussurrou em seu ouvido: poderíamos ficar com ela.