Isabela Fortuna
Pelotas/RS

 
Caminhos;

20

2021-2022

escritos

  1. talvez eu tenha sim pensado sobre algumas coisas.
    sobre hoje, sobre amanhã
    sobre o frio que veio ou se vai fazer sol –
    amanhã ou outro dia.
    talvez eu tenha sim pensado sobre alguns dias,
    ou sobre quando será que a vida vai virar a esquina
    e dizer que é tudo uma grande questão de tempo.

     
  2. mundo é grande!
    a vida ainda maior.
    como é que se fica num lugar só?
    não dá pra sonhar de um lugar só.

     
  3. ninei o sonho
    pra dormir bem
    e acordar melhor.

     
  4. e eu ainda vou culpar o que fizeram do mundo
    que me faz pensar que eu não tento,
    que eu não sonho,
    que viver
    não é o bastante.

     
  5. a cor do pôr do sol me lembra
    que talvez exista algo
    depois do tempo de tristeza.

    olhando a cor que divide o dia
    eu penso que lá na frente
    eu vou fazer o que eu queria.
    não é fácil.
    lutar contra si
    é sempre uma guerrilha.

     
  6. sobreviver a cada morte morrida.
    sobreviver a cada morte vivida.
    eu quero a melhor morte que eu já vivi.

     
  7. veja bem, hoje eu vivi outro dia. desses que alguns segundos duram bem,
    que alguns segundos acontecem genuínos, do jeito que a vida é.
    veja bem, hoje eu vivi mais que ontem.
    amanhã quem saberá dizer, mas eu suspeito que viva mais que hoje.

     
  8. once a day i rise
    e logo menos é outro dia.
C E N T E L H A 
 
é uma publicação independente que apresenta a produção e pesquisa como algo que pode incendiar. Profunda como as águas e intensa como fogo, flutua pelo ar e tenta se desprender da terra. É viva. Textos, anotações, ensaios, poesias, sons diversos e uma viagem que leva a lugar algum ou algum lugar. Enjoa. É uma carta de navegação ou uma planta baixa. Um rascunho ou um detalhamento. É ambivalente e contraditória. É bateção e inspiração.
O QUE É UM LUGAR?                                                
O lugar?
O que pode ser um lugar?
E o que não pode?
O que não é um lugar?
Um espaço, um site, um não lugar?
A ausência de um lugar?
Um sem lugar?
Uma utopia?
Não sei o que é.
Nem o que deixa de ser.
Pode ser só uma palavra.
Ou palavras.
Palavras difíceis de tragar.
Palavras que merecem ser tragadas.
Palavras escritas no papel.
Queimáveis.
Incendiárias.
Uma mistura de fogo e ar.
Não há lugar para palavras terrenas.
Cravadas em uma só realidade.
Ou atiradas ao mar.
Não sei onde cabe um lugar.
Só sei que está aqui.