Everton Leite
Curitiba/PR

 
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Em.costa
Substantivo feminino
1.      É o medo de não caber na própria casa.
2.      É o medo de sair para o mundo e não caber no mundo.
 
“Em.costa” é uma fotoperformance realizada no quintal da minha casa e transposta para o formato de cartaz.
O trabalho surgiu da observação da paisagem do meu bairro que, por ser periférico, está sempre em transformação. Nos dias de quarentena, em 2020, devido ao Covid-19, observei uma mudança considerável nas fachadas e nas estruturas das casas e dos terrenos – inclusive a minha casa passou por transformações. Percebi que com o isolamento das pessoas, os corpos e as mentes começaram a se ocupar de outras tarefas e a cuidar de algo que antes era só para dormir, as suas casas. Enquanto o mundo se destruía lá fora, as pessoas construíam pequenos refúgios com os destroços.
Para a performance coloquei meu corpo como espaço e pedi para meus familiares construírem com restos de materiais de construção novas habitações. A cada objeto colocado sobre o corpo eles deveriam tirar uma foto até meu corpo não aguentar mais ou não conseguir equilibrar os materiais. O resultado final é a foto de uma pequena paisagem que coloca em evidência a paisagem e a geografia de um corpo-habitação.
O múltiplo propõe o gesto de inserir meu corpo na dinâmica de transformação da geografia e urbanismo das cidades. Ainda, o cartaz traz uma frase retirada de uma música e colocada como definição de “Em.costa”, um substantivo para o medo de construir, habitar ou ocupar, propondo um contraponto à imagem.
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Em costa

20

2021

performance e cartaz

29,7x42cm

impressão sobre papel

C E N T E L H A 
 
é uma publicação independente que apresenta a produção e pesquisa como algo que pode incendiar. Profunda como as águas e intensa como fogo, flutua pelo ar e tenta se desprender da terra. É viva. Textos, anotações, ensaios, poesias, sons diversos e uma viagem que leva a lugar algum ou algum lugar. Enjoa. É uma carta de navegação ou uma planta baixa. Um rascunho ou um detalhamento. É ambivalente e contraditória. É bateção e inspiração.
O QUE É UM LUGAR?                                                
O lugar?
O que pode ser um lugar?
E o que não pode?
O que não é um lugar?
Um espaço, um site, um não lugar?
A ausência de um lugar?
Um sem lugar?
Uma utopia?
Não sei o que é.
Nem o que deixa de ser.
Pode ser só uma palavra.
Ou palavras.
Palavras difíceis de tragar.
Palavras que merecem ser tragadas.
Palavras escritas no papel.
Queimáveis.
Incendiárias.
Uma mistura de fogo e ar.
Não há lugar para palavras terrenas.
Cravadas em uma só realidade.
Ou atiradas ao mar.
Não sei onde cabe um lugar.
Só sei que está aqui.