Fernanda Fedrizzi
Porto Alegre/RS

 
o lugar de vista como prática artística orientada pelo lugar e a palavra

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2022

projeto de pesquisa de doutorado

O projeto de pesquisa propõe a continuidade de Topofagias: poéticas arquitetadas entre a cidade, a palavra e as artes visuais, dissertação desenvolvida no mestrado em Artes Visuais realizado no Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Pelotas (PPGAVI-UFPEL), e traz uma investigação sobre a prática artística que ocorre por meio do lugar de vista e da exploração das palavras e expressões, seus sentidos e significados. Apresenta o conceito de lugar de vista, associado ao lugar e a arte orientada pelo/ao lugar, traçando aproximações e distanciamentos com outros conceitos já conhecidos, como espaço, não lugar e site. Busca aprofundar a pesquisa em andamento, onde é abordado o processo de criação dos escritos, impressos e publicações de artista através de um olhar político e poético sobre o lugar e as palavras que surgem do que é percebido por meio do lugar de vista, assim como compreender o que é um lugar e o que leva à criação de novas palavras e expressões. Para viabilizar este entendimento, é utilizada a metodologia de pesquisa em artes visuais, observando, analisando e realizando a documentação do processo de criação e das relações entre os trabalhos em diálogo com a produção de outros artistas e teóricos, a fim de  contribuir com a área de pesquisa em poéticas visuais por meio da produção teórico-prática em processos artísticos contemporâneos.
C E N T E L H A 
 
é uma publicação independente que apresenta a produção e pesquisa como algo que pode incendiar. Profunda como as águas e intensa como fogo, flutua pelo ar e tenta se desprender da terra. É viva. Textos, anotações, ensaios, poesias, sons diversos e uma viagem que leva a lugar algum ou algum lugar. Enjoa. É uma carta de navegação ou uma planta baixa. Um rascunho ou um detalhamento. É ambivalente e contraditória. É bateção e inspiração.
O QUE É UM LUGAR?                                                
O lugar?
O que pode ser um lugar?
E o que não pode?
O que não é um lugar?
Um espaço, um site, um não lugar?
A ausência de um lugar?
Um sem lugar?
Uma utopia?
Não sei o que é.
Nem o que deixa de ser.
Pode ser só uma palavra.
Ou palavras.
Palavras difíceis de tragar.
Palavras que merecem ser tragadas.
Palavras escritas no papel.
Queimáveis.
Incendiárias.
Uma mistura de fogo e ar.
Não há lugar para palavras terrenas.
Cravadas em uma só realidade.
Ou atiradas ao mar.
Não sei onde cabe um lugar.
Só sei que está aqui.