QUANDO LUGAR ALGUM [RE]TORNA-SE ALGUM LUGAR

Fernanda Fedrizzi

2019

Quando lugar algum [re]torna-se algum lugar foi uma exposição individual, selecionada em edital, realizada no Espaço de Artes da UFCSPA, em Porto Alegre, em 2019. Foi pensada para transportar o visitante para o interior de um terreno de interior de quadra que observei ao longo de dois anos: O MIOLO. Onde havia uma pequena fábrica e uma casa de meados do século passado, hoje há um estacionamento. Como se alteraram a visão, a memória e as narrativas desse lugar? O trabalho busca despertar uma observação atenta das cidades, das sobras e dos resíduos de história, mostrando o quanto as transformações urbanas modificam as memórias, e por vezes levam ao total apagamento das relações sociais que foram fortalecidas nestes lugares.

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Leia em voz alta,

pisando na brita,

estando presente.

Assim como aquela ave que ressurge das cinzas, resistindo ao inevitável encontro com a morte, a cidade em ruína, escondida, acobertada - toda nova em forma - como uma nova vida, mesmo antiga - em um lugar algum ou algum lugar próximo - é ainda assim fagulha de uma mesma chama.

A história da cidade não é daqueles colocados em segundo lugar. No segundo andar. Nas alcovas. Nas salas de espera. Na rua sem saída. No beco camuflado pela poeira e pela manta invisibilizadora do olhar treinado para não ver.

Sobre a brita, grita:

para quem?

para mim?

Paredes antigas que revelam cores de cal, de limo, de cimento. Tijolos maciços e cicatrizes. Mofo abaixo da pele que não habita mais a memória. Cobertura artificial, não natural, de verniz, revestimento PVA. Escama que reclama. A pele respira rebelando-se entre fissuras - as marcas da luta pelo que não chega -  Vejo pelos riscos, pelos gritos, pelo que resta.

Fresta!

A outra cidade é a cidade- fênix.

Ressurge quando olho e observo.

Cuido, percebo e reverto.

Quando lugar algum [re]torna-se algum lugar

2019 - Porto Alegre/RS

exposição individual